O quintal da minha avó

O quintal da minha avó era simples, mas pra mim era um mundo. Da casa até a entrada ia um caminho de cimento que dava no meu ponto de observação. Ali eu passava o que me pareciam horas observando o Méier, reparando na textura áspera do muro, na copa das árvores, ouvindo os barulhos ao longe em delírio infantil. Na lateral do terreno subiam umas mangueiras gigantescas plantadas pelo meu avô, e o chão era coberto por milhares de moranguinhos, que nós colhíamos e minha avó servia cobertos de açúcar. Também açucarado e inesquecível era o gosto do suco de laranja que bebíamos em canudinhos feitos de galhos de mamão. Outros tempos, ninguém se preocupava com isso. Ali eu fui muito feliz, deitada no chão de tacos aos domingos, um calor absurdo, olhando a vida andar sem mim. Até hoje esse é meio que meu ideal de paz. E é um pouco isso que eu tento reproduzir hoje no meu jardim, essa tranquilidade cheia de cigarras que te permite deitar um pouco no chão na hora do por do sol e pedir pra vida passar um pouco que você volta já já.

Este blog pretende, assim, documentar os progressos do meu jardim e da minha horta recém-nascida. Boa sorte pra mim!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: